segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

CARICATURA EM LONDRES

Em 2020, fomos passar as festas de fim de ano com minha enteada no Reino Unido. Alice estava grávida e a ideia era todo mundo se encontrar lá e comemorar com ela. Eu e Claudia saímos de Campinas; Thais de Vitória; Percival e Cristina de Santarém; Beatriz de Sampa. Assim nos encontramos com Alice e Paul em Londres. Foi um belo fim de ano. Com muitas festas, Natal, aniversário da Clau bem na passagem de Ano Novo, aniversario da Alice logo depois. Foi uma viagem bem festeira. Alugamos uma casa em Putney (distrito de Wandsworth), perto do lindo parque de Wimbledon. Caminhamos e corremos muito por aquelas ruas, naquele frio de 5 graus. Num de nossos passeios fomos almoçar no pub Museum Tavern, em frente ao British Museum. Estava lotado. 20 minutos de pé, Percival conseguiu uma mesa pra gente. Depois de algumas paints de cerveja local, a Cris me cutucou e mostrou um camarada que estava bebendo no balcão e disse que ele parecia uma caricatura. E parecia mesmo. Parecia também ser um cliente habitual, conversava com todo mundo. Resolvi ir conversar com ele. Me apresentei, disse que era brasileiro, cartunista. E, ele, numa alegria só contou que tinha morado no Brasil por 3 ou 4 anos, na época do Collor. Foi casado com Maria, morou no nordeste, adorou o povo e o clima. Acabou se separando de Maria e voltando. Percival se juntou à nossa conversa. Foi muito divertido. Perguntei de onde ele era e quando disse que era escocês, respondi: "Não acredito. Não pode ser. Estou entendo tudo que você fala." Quem já foi a Edimburgo sabe como o acento deles é pesado e diferente dos londrinos. Risos à parte, prometi fazer uma caricatura, fiz fotos dele e perguntei seu nome. "Mr. Green" foi a resposta "E estou aqui todos os dias no almoço. É praticamente meu buteco brasileiro."
Fui pra casa pensando se ele se chamava Sr. Verde... Claro que não, pensei. Deve ser Mr. Grimm, como os irmãos Grimm dos contos de fada da Alemanha. Fiz a caricatura e dias depois resolvi ir até o Pub e aproveitar para visitar o Cartoon Museum que ficava na rua de trás do PUB. Fomos a pé, Claudia ficou numa loja de departamentos e eu segui com o mapa e com o temporal que caiu. Estava sem guarda chuva e até conseguir comprar um, me molhei dos pés à cabeça. Cheguei no Pub da Great Russell Street e lá estava o Sr. Grimm. Quando viu a dedicatória, caiu na gargalhada. Ele se chamava Graham, com pronúncia Grãim. Expliquei que tinha entendido Green, depois Grimm e quando fui apagar, ele pediu que deixasse daquele jeito, pois iria se lembrar daquela tarde única. Ele e os amigos, o dono do pub, todos riram muito com a caricatura. Me ofereceram cervejas, mas eu ia no Museu do Cartum, declinei o convite e corri pra rua de trás, a Little Russell Street. Mas... o Museu tinha mudado pra Wells Street, 63, no centrão. Não daria para chegar lá a tempo. Voltei pro pub, tomei aquelas cervejas todas e quase perdi o horário que combinei com a Clau. Chamei um táxi, me desculpei por não saber o endereço para onde desejava ir, mas disse o nome da loja de departamentos, a área que deveria ser, que estava atrasado e que tinha uma mulher esperando. E ele respondeu: "Fique tranquilo. Sou casado e sei como é estar atrasado. Chegaremos lá em 10 minutos." Ao chegar na esquina, vi a Claudia me procurando. Há apenas alguns minutos.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

DANIEL AZULAY

Daniel Azulay morreu em 27/03/2020, vítima de #covid19 (sim, a gripezinha que alguém falou). Quando eu era adolescente (já decidido a seguir carreira nos #Quadrinhos e #Cartuns) assistia seus programas na TV, me admirava com seu carisma, competência e pensava: "Uau, este cara está no lugar certo, na hora exata!" Seu programa de TV tinha grande audiência. O mestre do #QuadrinhoNacional foi também criador da #TurmaDoLambeLambe, cartunista premiado, produtor televisivo e professor de desenho em sua escola no Rio de Janeiro. O tempo passou, virei quadrinhista, cartunista e professor de caricatura na #EscolaPandora, em Campinas. Um dia, ao chegar na escola, vi seu autógrafo com uma auto-caricatura no mural de recados. Tinha sido trazido pelo Ricardo Quintana e Amilcar Mazzari. Senti uma nostalgia boa e pensei: - Quem sabe ainda encontro o Mestre Azulay? Em 2018 pude conhecê-lo pessoalmente no #HQmix, fazer selfie com ele e ouvir seu depoimento de vida. Azulay contou como começou a desenhar, lia gibi escondido nos livros didáticos e desenhava sem parar. Foi premiado como Mestre por uma carreira de 50 anos. Quem espera no lugar certo e na hora exata, alcança. Eu alcancei e pude conhecer o velho mestre.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

BALAIO DE CARICATURAS














Pagu, Big Bill Broonzy, Castello Branco (Petrobrás), Claudio Souza (professor de aikidô), Flavio Migliaccio, Nathan Never, Robert Johnson, Moreno Burattini e Valentina, Grace Jones, Fontanarrosa, Daniel Azulay.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MESTRE JULIO SHIMAMOTO


Conheci o mestre Julio Shimamoto no I Encontro Nacional de HQs, em Araxá (1988). Eu já conhecia sua arte incrível pelo livro "A técnica do desenho" (em que Jayme Cortez dava dicas de 45 quadrinhistas importantes da década de 1960) e este encontro foi muito emocionante pra mim, com meus vinte e poucos anos.
Eu o reencontrei em lançamentos da Ópera Gráfica (de Carlos Rodrigues e Franco de Rosa), na Comix, em 1990. Seu trabalho estava sendo republicado em álbuns que valorizavam sua história. Ele, Zalla, Colonnese eram o centro da festa.
Ao nos despedirmos, perguntei:
- Vai voltar pra casa no Rio, comer uma boa comidinha japonesa? Um sukiaki, bataiaqui, sushi, gohan, missô...
- Que nada, amigo Birão. Eu moro no Rio, lá não tem nada disso. É arroz, feijão preto, salada, toucinho e ovo frito mesmo!
E deu uma larga risada.
Eram outros tempos, a globalização da culinária ainda nao tinha mudado nossos hábitos de forma tão profunda.
Peguei o endereço do mestre e enviei um pacotão com meus quadrinhos políticos e sindicais. Trocamos muitas cartas. Shima me contou da criação da ADESP (1961), de sua participação no projeto de Quadrinhos do Brizola, no RS (1962) e do horror quando foi preso na Operação Bandeirantes, durante a Ditadura Militar.
O mestre Shima é grandioso e simples ao mesmo tempo, delicado e atencioso. Um colaborador de todo fanzine e revista independente. Seu traço vibrante e moderno tem abordado temas épicos, históricos, aventureiros, cômicos, de terror, suspense e até na publicidade. Publicou em todas grandes editoras do Brasil. Fez HQs em azulejos, bexigas de gás, madeira, metal, latex, nanquim, efeitos com copiadoras, um verdadeiro experimentador artesão das artes plásticas.
A internet facilitou nosso contato e nunca mais paramos de conversar por e-mail. A sabedoria e amizade deste Samurai dos Quadrinhos são infinitas.
Além de publicar em vários fanzines com o Mestre, tenho grande orgulho por ter publicado no mesmo selo que ele: Sketchbook Custom pela editora Criativo.
Como no filme "Ao mestre com carinho", eu diria To sir, with love.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

UMA HORA DE BATE-PAPO ENTRE TITÃS

Entre Eduardo Vetillo
http://vetillobrothers.blogspot.com/
Wilde Portela
http://blogdochet.blogspot.com/
e Bira Dantas
http://chargesbira.blogspot.com
Caro leitor, você imagina o que acontece quando duas lendas vivas da HQ brasileira se encontram na internet? Vetillo e Wilde, parceiros de Chet, um dos ícones dos Quadrinhos de Farwest no Brasil, não se falavam há 20 anos. Este digitador que lhes fala presenciou uma verdadeira epopéia com dois Gigantes. De um lado (em Olinda), um mestre das letras e da narrativa quadrinhística. De outro (em Campinas/SP) , um mestre do traço no bico-de-pena, das pinceladas aquareladas, dos desenhos enquadrados. No meio, um reles mortal com mania de vislumbrar sonhos. Um Ulisses, tentando achar o caminho de casa, perdido no oceano, maravilhado com Gigantes Olímpicos, monstros e sereias. Como cantou Gil, o genial ex-ministro da Cultura (um dos melhores que já tivemos) "fazendo uma jangada de gigabytes, pra navegar nas ondas deste infomar, aproveitando a vazante da infomaré".
εξασφαλιστεί ότι οι θεοί για εμάς.
(Que os Deuses velem por nós)
Bira: Oi, Wilde, estamos aqui.
Edu: O Wilde foi o melhor roteirista com quem trabalhei!
Wilde: Caramba!
Bira e Edu: Caramba dizemos nós!
Wilde: Mas com o Vetillo nos desenhos, era fogo. Adorava ver aqueles traços nervosos e com um movimento incrível. O Vetillo tinha um estilo bem pessoal.
Bira: Vixi, to vendo que essa conversa a três vai parar no site Bigorna.
Edu: E o relançamento do Chet, como foi isso, quem fez?
Wilde: Foi uma editora do Paraná.
Edu: Puxa, quantos anos de janela, que bom que os Quadrinhos estão voltando.
Wilde: Rapaz, que prazer enorme. Dia desses minha irmã, que foi casada com Ota, falou de você e comentamos seus desenhos...
Bira: Eita, diabo, danou-se!
Edu: A Su?
Wilde: Não, a Fátima. Mas falando do Chet, era aquele lance, quando eu pegava a revista que vinha com o traço do Vetillo, eu lia tudo com calma, degustando cada quadro e aí, eis que vejo o cara do lado do amigo Bira.
Edu: Eu achava muito bacanas roteiros com três acontecimentos simultâneos, que acabavam com um desfecho único.
Wilde: Pois é, dica de noveleiro. Uma trama e três paralelas. Sabe, gosto de escrever assim... Às vezes fico numa situação complicada, pois não gosto de escrever sinopse. E, gozado que o Vetillo seguia, direitinho, as tomadas de cena que eu descrevia. Era arretado!
Bira: É, estou aqui de bagrinho em aquário de tubarão. Só fera!
Wilde: Você também é fera, Bira! Jovem fera, desenha minha cara pra eu botar no Facebook e no Orkut!
Bira: Demorou. Faço amanhã!
Wilde: Eba!
Edu: Wilde, ainda quero desenhar mais HQs com roteiros teus.
Bira: Opa, senti de novo a parceria no ar!
Wilde: Amarra o endereço do Vetillo, pois to levando a sério a nova-velha parceria Wilde-Vetillo. Pra mim será uma das grandes honras. Além de bater aquele sentimento, né? Será uma história épica, clássica.
Edu: Bem no estilo Wilde.
Wilde: E também o Ota adora o Vetillo.
Bira: Falando em épico, o Vetillo acabou de entregar a Ilíada em quadrinhos pra editora Cortez. Tudo a ver com o momento de vocês! E quanto ao meu velho amigo Watson Portela?
Wilde: Tá na Bat-caverna. Nas Paralelas. Virou entidade, lenda!
Bira: Como assim, não sai mais de casa? Onde ele está morando? Ele está publicando HQ?
Wilde: Na casa de meus pais, no Recife, escondidão mesmo. Desenhou várias HQs. Estão lacradas na gaveta.
Bira: Puxa vida, gosto tanto dele, conheci Watson no Encontro de Quadrinhos em Araxá. Ele via minhas charges e queria por tudo que eu desenhasse Ficção. Eu dizia que nunca ia desenhar espaçonaves e roupas alienígenas como ele, com aquele detalhamento, luz e sombras, hachuras maravilhosas. Wilde: Vetillo, você tem os Chets que desenhou?
Edu: Só o #1 com capa do Ofeliano.
Wilde: Eu tenho três, o #1, um especial e um que você desenhou uma história de caravana quando a turma comia até rato pra sobreviver.
Edu: Raridades! Toma conta direitinho e me manda cópias de tudo.
Bira: Rato ou preá? Hauhauhuahuahuauhauh!
Wilde: Ratazana do deserto mesmo, gabiruzão. A história chamou atenção. Parecia um filme por causa dos desenhos do Vetillo e do tema.
Bira: Wilde, minha família é do nordeste, do RN. O casamento do meu irmão mais velho, Libanio com Gilma Cyrne (parente do Moacyr), foi no sertão de São José do Seridó. Na festa eu comi um pedaço de preá torrado que só fazia crescer na minha boca. Preá, nunca mais!
Wilde: KKKKKKKKKK. Preá não como nem a pau, nem tatu-peba.
Bira: Nem Tatu-man, o meu personagem?
Wilde: Respeito o Tatu-man!
Todos: Hauhauhauauuauauhauha!
Wilde: Um dia comi gia (um tipo de rã) enganado e quando soube... UAHHHHHHH!
Thaís: Que nojento!
Wilde: Rsrsrsrsrs. Beleza, ela tem razão!
Edu: E o Ota ainda está com sua irmã mais velha?
Wilde: Tá mais não. E é irmã mais nova, pô! Botei a bichinha no colo! Faço parte do The Bengalas Boys Club. Tony Fernandes também.
Edu: O Ota é feio que só uma desgraça, ela é doida!
Wilde: Rapaz, doidaça! E continua doidaça. E falei com ele recentemente, um papo doido de dar em doido! E como sou doido, bateu não... Mas dá pedal.
Bira: Cara, eu vou colocar tudo isso no Bigorna, tem alguma coisa que quer que eu tire?
Wilde: Não! Pode colocar tudo no Bigorna!
Edu: Você lembra da gravata do Ota, mais cumprida que a do Didi? Ia até os pés...
Wilde: Rsrsrsrsrs. Vero! A gravata tronxa! Lembro sim, Ota era desajeitado paca! Pegava um ônibus cheio e antes de subir, comprava um sanduba de carne-de-porco e ia comendo em pé, o maior cheiro e a maior meleca!
Bira: Com o futunzão rolando solto! Esse é o Ota...
Wilde: Isso. Ele se pendurava com uma mão e com a outra comia o enorme sanduba e ia se melcando todo.
Edu: Mas o Ota tinha uma moral fdp no Rio.
Wilde: Ota tem moral em tudo que é canto. Ele é ferrado como editor, uma cabeça pensante.
Bira: Até em bordel, Ota tem moral!
Wilde: Lá ele perdeu. Foi roubado por três travecos e não passou mais por lá.
Bira: Que nem o Roaldo gordo? Virge santa, a fome era tanta!
Wilde: Bom, por aí...
Edu: Peter Bogdonovich está fazendo um documentário sobre John Ford.
Wilde: Ford? Meu ídolo, cara! Acabei de receber "The searchers - Rastros de ódio", com o velho Duke, dirigido por Ford.
Edu: Uma obra-prima. Bendita seja a Irlanda.
Wilde: Bendita sim, se não fosse ela, já viu... Uma obra-prima mesmo. Já assisti cinco vezes e hoje vou assistir de novo. Atualmente estou tentando fazer uma HQ cm levada de filme.
Bira: Tem que ter Vetillo no meio.
Wilde: E vai, cara! Se ele topar, uma história sem legendas, saca? Só balões, falas. Quero fazer uma Graphic Novel, formato americano. Editora tem. Portanto, acho que a dupla Vetillo-Wilde dá pedal e vende (sem falsa modéstia)!
Edu: Sempre deu. Eu estou com muito trabalho no momento, mas com certeza, vamos voltar a trabalhar juntos. Qualquer idéia, me envie pelo correio.
Bira: O Vetillo e você, Wilde, estão na crista da onda. Massa total!
Wilde: Massa real. Papo bom é curto assim mesmo. Quando você falou que o Vetillo ia no teu estúdio, desisti de ir na casa do papa&mamma. Seria bom num boteco.
Edu: Que todos nossos projetos sejam "Ases"!
Bira: Abração Wilde. Prazer falar contigo. Mande um abraço especial pro Watson e pergunte se ele recebeu meu Birazine pelo correio.
Edu: Um abraço fordiano pra você!
Bira: Estamos que nem três pintos no lixo!
Wilde: Outro pra você. Abraços em você e no Vetillo. Valeu mesmo! Foi um prazer enorme que você me proporcionou, Bira, entrar em contato com o Vetillo novamente! Alegre que só! E tem um lance aqui de Frei Caneca em HQ, pra escola e pra crianças, você tá no meio, se te interessar.
Bira: Está topado. Depois de ter sido assistente de um Titã como o Vetillo, será uma honra ser parceiro de outro Titã como Wilde Portela, sinto-me no meio de um filme mitológico.
O Ota deu uma resposta, mas isso está no site Bigorna.
http://www.bigorna.net/index.php?secao=birazine&id=1286124127

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

quinta-feira, 13 de outubro de 2016