quinta-feira, 16 de outubro de 2025

EXPO "EU SOUL BLACK" EM BH!

Exposição Eu Soul Black – Bira Dantas
A exposição reúne 20 caricaturas do autor, com desenhos de estrelas internacionais, como James Brown e Aretha Franklin, e ícones da música brasileira, como Tim Maia. A inspiração para os desenhos surgiu quando Bira conheceu o Quarteirão do Soul, no centro da capital mineira, e o Soul da Serra, no Centro Cultural Vila Marçola. Ele visitou esses locais, fez caricaturas de seus frequentadores e decidiu transformar essa paixão em exposição. Bira Dantas trabalha com quadrinhos, ilustrações e charges desde 1979. Ilustrou livros e materiais produzidos por sindicatos, foi um dos desenhistas do gibi “Os Trapalhões”, da Bloch Editores, e colaborou com revistas como Pântano, Tralha, Porrada, Megazine, O Pasquim 21, além de alguns jornais. Como animador, trabalhou no estúdio Briquet Filmes.
Público: livre
Visitação: no horário de funcionamento do Centro Cultural de V. Marçola em BH.
https://www.facebook.com/CentroCulturalVilaMarcola.ccvm

sexta-feira, 20 de setembro de 2024

AS AVENTURAS GRÁFICAS DO MESTRE ZIRALDO

Eu participei com minhas charges e cartuns de duas destas aventuras: a Revista Bundas (1999 a 2001) e o Jornal Pasquim 21 (2002 a 2004) e posso afirmar, sem pestanejar, que Ziraldo junto com J.Carlos e Angelo Agostini foram os três maiores editores e criadores gráficos que este país já teve.
Ziraldo e J. Carlos têm mais uma coisa em comum, modernizaram o traço do humor gráfico de forma dilacerante em seus tempos. J. Carlos na Careta e Fon-fon, Ziraldo no Jornal do Brasil e Pasquim.
Fazer charges, cartuns e quadrinhos é fácil (ou menos difícil), editar é que são elas. Pois estes três nomes se destacaram nesta difícil arte, com a diferença que Ziraldo foi também um prolífico criador de livros infantis e infanto-juvenis.
Mas, para além de ser apenas um produtor de conteúdo, Ziraldo era também um formatador de projetos, um visionário gráfico que via as bancas de jornais e livrarias como espaços de batalha em prol do conhecimento e era sua a frase "Ler é mais importante que estudar!" Participei de várias homenagens à genialidade de Ziraldo em Salões de Humor como os de Caratinga e Piracicaba, publicações como a Revista Huai (pelo cartunista Edra) e a belíssima Exposição "Cara a Cara" no Salão do Livro 2022 em Ipating (onde expus duas das obras do post abaixo) a convite dos amigos cartunistas Genin Guerra e Jorge Inácio. Publiquei as caricaturas na revista do Camilo Lucas de Caratinga e no livro homenagem ao Ziraldo, editado pelo Edra pela Melhoramentos.
É homenagem que não acaba, e o Mestre ZIRA merece. https://www.opovo.com.br/noticias/curiosidades/2024/04/08/bundas-conheca-a-revista-criada-por-ziraldo-em-1999.html

MESTRE ZIRALDO

A primeira vez que eu vi o Mestre
É claro que não peguei a primeira fase da publicação dos gibis de A Turma do Pererê, do Ziraldo, que pararam de ser publicados pela editora Abril em abril de 1964. Tétrica coincidência. Victor Civita ficou famoso no livro O Homem Abril, de Gonçalo Jr., por entregar pra polícia seus jornalistas e redatores que eram contra a ditadura. Um apoio aos milicos que censuravam, torturavam e matavam. Eu tinha apenas um ano e um mês quando o gibi foi cancelado.
Fui encontrar as artes do Mestre Zira nas páginas da revista O Cruzeiro, que meu padrinho Vicente comprava. Ele era barbeiro no Tatuapé, e a revista, que trazia O Amigo da Onça, de Péricles, e os cartuns do Ziraldo, era presença marcante no Salão do Vicentinho, que também era metalúrgico e goleiro de futebol. Porém, o traço moderno, a arte final pincelada, as caricaturas elegantes, a perspicácia humorística de Ziraldo foram me ganhar no final dos anos 1970 e início de 1980, nos jornais O Pasquim e Jornal do Brasil. Era o começo de minha carreira nos Quadrinhos dos Trapalhões e nas Charges Sindicais.
O Pasquim me trouxe não apenas sua genialidade gráfica, mas sua capacidade de aglutinar uma trupe de mestres do texto e das artes para produzir um dos mais importantes veículos da imprensa nanica, alternativa e de oposição aos ataques que nossa combalida democracia vinha sofrendo. Foi aí que a influência veio forte, principalmente quando comprei O Pipoqueiro da Esquina, em que ele desenhou dezenas de pipocas escritas por outro mineiro, o Drummond! Esse livro me deu a real noção da sua capacidade gráfica, de seu experimentalismo visual. Minha admiração só cresceu nas dezenas de livros infantis ilustrados de forma soberba com mistura de aquarela, ecoline, guache, acrílica, nanquim e lápis de cor. Sem contar sua forma de desenhar as expressões e as anatomias de bichos que andam em duas, quatro, ou cem pernas.
Ziraldo é capaz de desenhar qualquer coisa, desde um móvel e um terno realista em anúncios, a espaçonaves siderais, relações maternais de cangurus e amor entre elefantes. É brilhante em Noções de coisas, com o genial Darcy Ribeiro, em seus cartuns e quadrinhos com meninos maluquinhos, supermães e Jeremias... Não bastasse tudo isso, que ainda é muito pouquinho perto de tudo o que ele fez de fato, Ziraldo foi o criador, com Zélio, da revista Bundas e do jornal OPasquim21, dois semanários do humor gráfico brasileiro nos quais tive o prazer de publicar minhas charges.
Um belo dia, na Bienal do Livro em Sampa, vi uma multidão e, ali no meio, uma vasta cabeleira branquinha. O sotaque mezzo mineiro, mezzo carioca denunciou: era o Ziraldo! Nunca tinha visto o Mestre pessoalmente, assim, de pertinho, a ponto de tirar foto junto (na época não tinha celular pra tirar selfie), e fui lá entrar na fila pra dar um abraço no criador de tantos quadrinhos e cartuns que me fizeram a cabeça. Foi aí que contei quem eu era, e então deu início ao momento que transformei em charge, com esse mesmo diálogo acontecido, reclamado, ouvido e só agora desenhado.

MASTROTTI, COMPA DE TRAÇO

Caricatura e texto especialmente feitos para a Biografia Ilustrada de Mastrotti editada pelas editoras Criativo e GRRR! de Marcio Baraldi. https://www.livrariacriativo.com.br/
Em 1975, Mario Dimov Mastrotti criou Cubinho, um personagem que chamava a atenção dos leitores do Jornal Diário do Grande ABC para a Ecologia, tema que se tornou um dos mais importantes para os habitantes deste ponto azul chamado Terra, o "Planeta Água" segundo o cantor Guilherme Arantes. Mastrotti não poderia ter acertado de maneira mais certeira no tema e na bandeira: Salvar o Planeta enquanto é tempo! E ele estava adiantado em, pelo menos, 50 anos.
Em 1984 eu o conheci nas reuniões da AQC-ESP, Associação de Quadrinhistas e Caricaturistas. A empatia foi imediata, a amizade também. Ainda mais porque descobri que apenas 300 metros nos separavam em nossos locais de trabalho na Liberdade, ambos na rua Tamandaré, eu nas charges do Sindicato dos Químicos e ele nas ilustrações de apostilas do Anglo. Mudei pra Campinas e perdi contato com a turma da AQC, Mastrotti entre eles. Neste meio tempo, Mastrotti montou uma agência de assessoria de imprensa e produção de quadrinhos institucionais e publicações empresariais. Se especializou em mercado editorial. Seu vasto conhecimento de jornalismo e propaganda o preparava para um futuro brilhante na árdua tarefa de ensinar. Saiu-se muito bem como professor universitário.
Mas sua determinação em aglutinar cartunistas e chargistas fez com que editasse livros cooperativados através de sua pequena e brava Editora Virgo.
Era o fim dos anos 90, o ilustrador Henrique Kipper havia criado a lista de discussão ImagoDays (no site Yahoo) que juntava chargistas, cartunistas e ilustradores de várias partes do Brasil. Foi assim que nos reencontramos, de forma virtual. Era o tempo dos fotologs, o antecessor dos Blogs, com a publicação de arte virtual. Mastrotti já falava da importância das publicações em papel, à moda dos importantes Fanzines. Poderia ter focado em sua própria obra, já vasta, mas optou por fazer história com os livros cooperativados "Brasil, 500 anos" (2000), "2001 uma Odisséia no Humor", "Humor&Amigos", "Fome de ver estrelas", "Tiras de Letras" (2003) cuja coleção teve mais de 11 edições, "Isto é um absurdo" e "Brasil do Bem" (2012).
Depois de um tempo afastado, voltei a participar da AQC, do Troféu Angelo Agostini (bravamente mantido vivo pelo fanzineiro e jornalista WAZ, Worney Almeida de Souza). E reencontrei Mastrotti nas Pizzadas dos Cartunistas organizadas pelo Custódio Rosa na Prestíssimo, nos lançamentos da editora Virgo, no seu Blog. Finalmente este lutador se dedicou à criação do Salão de Humor de Doação de Órgãos e com este intuito, veio me visitar em Vitória para contatar cartunistas capixabas e animar todo mundo a participar de um Salão tão importante como este. Fizemos uma excelente palestra na Faculdade FAESA, que agregou alunos de Arte, Jornalismo e Propaganda, sucesso total. Seu domínio em como expor conteúdo ligado a essas matérias é sensacional e eu fui agraciado em tê-lo ao meu lado falando para um auditório lotado com mais de 300 alunos.
Mastrotti é gente que faz o Bem. Merece os parabéns por lutar por um Brasil do Bem e ser este artista produtivo, criativo, presente e agregador.

terça-feira, 23 de julho de 2024

ANGELO AGOSTINI, PATRONO DO QUADRINHO NACIONAL

https://ensinarhistoria.com.br/charges-de-angelo-agostini-para-discutir-o-mito-da-escravidao-branda/
Angelo Agostini (1843-1910), italiano naturalizado brasileiro, foi um dos mais importantes chargistas do século XIX no Brasil. Seus desenhos acompanharam de perto os principais acontecimentos políticos do Segundo Reinado revelando, também, costumes e visão de mundo das sociedades paulista e carioca da época. Por meio de seus desenhos, Agostini fazia uma dura crítica à monarquia e à escravidão. Em muitos deles, expunha nomes de políticos e do próprio imperador associando-os às mazelas do governo e à manutenção do escravismo, especialmente na Revista Illustrada, fundada por ele. Os desenhos ganham ainda maior importância considerando-se que, no Brasil monárquico, 82% da população livre era analfabeta (Censos de 1879 e 1890). Para o público analfabeto e iletrado, a leitura da imagem permitia compreender a mensagem da charge, sua crítica e ironia.
Obrigado por compartilhar. Lembre-se de citar a fonte: https://ensinarhistoria.com.br/charges-de-angelo-agostini-para-discutir-o-mito-da-escravidao-branda/ - Blog: Ensinar História - Joelza Ester Domingues

quarta-feira, 1 de maio de 2024

AIRTON SENA

Em 2014, o cartunista JAL montou uma exposição virtual para homenagear o piloto #AirtonSena.
Agora 30 anos depois da morte do Senna naquele fatídico 1o. de maio, esta expo será reprisada de forma inusitada: Será na maior roda-gigante da América Latina, no Parque Villa Lobos, na capital paulistana. Vamos fotografar essa experiência para quem não puder visitar a expo.

domingo, 17 de março de 2024

MARCATTI, NHÔ QUIM, WALMIR AMARAL

Marcatti duas décadas atrás... https://marcatti.com.br/
Releitura da capa da Revista de Angelo Agostini, com seu personagem principal. https://pt.wikipedia.org/wiki/Angelo_Agostini
Walmir Amaral, #MestreDoQuadrinhoNacional falecido em janeiro de 2024. https://universohq.com/noticias/faleceu-walmir-amaral-mestre-do-quadrinho-nacional/

quarta-feira, 2 de agosto de 2023

WORNEY ALMEIDA DE SOUZA (WAZ)

Texto extraído do site
http://www.guiadosquadrinhos.com/artista/worney-almeida-de-souza-waz/3914 Conhecido como “WAZ”, é jornalista, criador e editor. É o criador do fanzine “Quadrix” (um dos mais importantes veículos de comunicação entre desenhistas e seus fãs). Worney fez história no mundo dos quadrinhos, mantendo uma importante lista de contatos de fãs de HQs no Brasil inteiro. Atuou também como distribuidor independente em São Paulo, botando vários tipos de material em dezenas de bancas da capital.
Funcionário da Prefeitura de São Paulo, é amigo de centenas de profissionais da área (como Primaggio Mantovi, Rodval Matias, Paulo e Chico Caruso, Jayme Cortez, Diamantino da Silva, Rodolfo Zalla, Eugenio Colonnese, Mauricio de Souza, Eduardo Vetillo, Ziraldo, Watson Portela, Franco de Rosa, Mozart Couto entre muitos outros) e respeitado por seu conhecimento (muitas vezes “in loco”) de quadrinhistas já esquecidos ou até falecidos (como Bonini, Sérgio Lima, João Baptista Queiroz).
Colaborou em várias editoras, como Opera Graphica e Escala Educacional, por ser um pesquisador dedicado, cuja coleção impecável de revistas faria inveja a qualquer um.
Worney, Franco de Rosa, Ofeliano entre outros, batalharam para que o Dia do Quadrinho Brasileiro fosse o dia em que Angelo Agostini publicou a primeira página de “As Aventuras de Nhô Quim” (30 de Janeiro de 1869).
A AQC-ESP (Associação dos Quadrinhistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo) foi criada em 1984, para reunir os profissionais da categoria, procurando defender seus interesses e abrir perspectivas para semi profissionais e incentivar os amadores a abraçar esta arte. Com poucos recursos e muito boa vontade de alguns, a associação tem procurado cumprir esta orientação. Mas existe um outro aspecto muito importante que tem ocupado um espaço de destaque entre as atividades da AQC-ESP: o resgate e a referência aos grandes artistas do quadrinho nacional, que são homenageados anualmente através do Troféu Angelo Agostini.
No início dos anos 90 lançou, em parceria com Edgard Guimarães, de seu zine mais famoso, o “IQI” (Informativo de Quadrinhos Independentes, nome logo encurtado para “QI”).
https://www.youtube.com/@muitashqs Abriu dois canais no youtube Um pra falar sobre quadrinhos (MuitasHQs) e um sobre futebol (Nacional ACSP). https://www.youtube.com/@100anosNacionalACSP Foi entrevistado pelo Canal Quadrante X. https://www.youtube.com/watch?v=zuQ_a068KEI
WORNEY HOMENAGEADO NO ANGELO AGOSTINI
Em fevereiro de 2013, WAZ recebeu a medalha "O tio" com minha caricatura (que o quadrinhista Franco de Rosa transformou em clichê), mais uma caricatura de "Atlas" carregando a AQC (e o Troféu Angelo Agostini) por 28 anos.
Escreveu Marcos Venceslau:
"Caro 'Tio' Worney, A homenagem foi muito bem merecida, você carregou esse premio 28 anos e muito bem, como está na carica do Bira no clichê que recebeu! Mais do que na hora do reconhecimento e hora de colher os frutos do seu trabalho na AQC. Venho ajudado nos últimos 4 ou 5 anos em poucas coisas, mas desta vez entrei de cabeça e com uma equipe fixa que gostou do riscado e quer continuar e fazer o trigésimo da melhor maneira possível! Sua ajuda com essa experiência de anos sempre será bem vida para melhorar ainda mais a cada ano! Conte comigo, como sempre! Abração!"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

MAZZAROPI

Caricatura do ator e comediante Amácio Mazzaropi selecionada no 3° Salão Online de Humor de Pinda (Pindamonhangaba) em 2021. Está publicada no e-book a “Charges e Cartum” do cartunista Francisco Machado. A primeira edição ocorreu em 2019, na modalidade caricatura, sendo o personagem homenageado o médico Emílio Ribas. Em 2020, a 2° Edição homenageou o apresentador Fausto Silva. De acordo com a diretora de Cultura, Rebeca Guaragna, o Salão é uma forma de fomentar e difundir os trabalhos de artistas de caricatura do município e outras cidades. “O incentivo à cultura é uma das principais ferramentas para o desenvolvimento social. É com essa motivação que estamos apoiando a realização do 3º Salão Online de Humor de Pindamonhangaba”, finaliza Rebeca. http://jornaltribunadonorte.net/noticias/3-salao-online-de-humor-de-pinda-homenageia-mazzaropi/?fbclid=IwAR3b-ZswfH0KkMgMXJENnycyhbb_WBns19Xe0CMv2tF_PVW7E0bPKog0EZ8

segunda-feira, 11 de janeiro de 2021

CARICATURA EM LONDRES

Em 2020, fomos passar as festas de fim de ano com minha enteada no Reino Unido. Alice estava grávida e a ideia era todo mundo se encontrar lá e comemorar com ela. Eu e Claudia saímos de Campinas; Thais de Vitória; Percival e Cristina de Santarém; Beatriz de Sampa. Assim nos encontramos com Alice e Paul em Londres. Foi um belo fim de ano. Com muitas festas, Natal, aniversário da Clau bem na passagem de Ano Novo, aniversario da Alice logo depois. Foi uma viagem bem festeira. Alugamos uma casa em Putney (distrito de Wandsworth), perto do lindo parque de Wimbledon. Caminhamos e corremos muito por aquelas ruas, naquele frio de 5 graus. Num de nossos passeios fomos almoçar no pub Museum Tavern, em frente ao British Museum. Estava lotado. 20 minutos de pé, Percival conseguiu uma mesa pra gente. Depois de algumas paints de cerveja local, a Cris me cutucou e mostrou um camarada que estava bebendo no balcão e disse que ele parecia uma caricatura. E parecia mesmo. Parecia também ser um cliente habitual, conversava com todo mundo. Resolvi ir conversar com ele. Me apresentei, disse que era brasileiro, cartunista. E, ele, numa alegria só contou que tinha morado no Brasil por 3 ou 4 anos, na época do Collor. Foi casado com Maria, morou no nordeste, adorou o povo e o clima. Acabou se separando de Maria e voltando. Percival se juntou à nossa conversa. Foi muito divertido. Perguntei de onde ele era e quando disse que era escocês, respondi: "Não acredito. Não pode ser. Estou entendo tudo que você fala." Quem já foi a Edimburgo sabe como o acento deles é pesado e diferente dos londrinos. Risos à parte, prometi fazer uma caricatura, fiz fotos dele e perguntei seu nome. "Mr. Green" foi a resposta "E estou aqui todos os dias no almoço. É praticamente meu buteco brasileiro."
Fui pra casa pensando se ele se chamava Sr. Verde... Claro que não, pensei. Deve ser Mr. Grimm, como os irmãos Grimm dos contos de fada da Alemanha. Fiz a caricatura e dias depois resolvi ir até o Pub e aproveitar para visitar o Cartoon Museum que ficava na rua de trás do PUB. Fomos a pé, Claudia ficou numa loja de departamentos e eu segui com o mapa e com o temporal que caiu. Estava sem guarda chuva e até conseguir comprar um, me molhei dos pés à cabeça. Cheguei no Pub da Great Russell Street e lá estava o Sr. Grimm. Quando viu a dedicatória, caiu na gargalhada. Ele se chamava Graham, com pronúncia Grãim. Expliquei que tinha entendido Green, depois Grimm e quando fui apagar, ele pediu que deixasse daquele jeito, pois iria se lembrar daquela tarde única. Ele e os amigos, o dono do pub, todos riram muito com a caricatura. Me ofereceram cervejas, mas eu ia no Museu do Cartum, declinei o convite e corri pra rua de trás, a Little Russell Street. Mas... o Museu tinha mudado pra Wells Street, 63, no centrão. Não daria para chegar lá a tempo. Voltei pro pub, tomei aquelas cervejas todas e quase perdi o horário que combinei com a Clau. Chamei um táxi, me desculpei por não saber o endereço para onde desejava ir, mas disse o nome da loja de departamentos, a área que deveria ser, que estava atrasado e que tinha uma mulher esperando. E ele respondeu: "Fique tranquilo. Sou casado e sei como é estar atrasado. Chegaremos lá em 10 minutos." Ao chegar na esquina, vi a Claudia me procurando. Há apenas alguns minutos.

terça-feira, 24 de novembro de 2020

DANIEL AZULAY

Daniel Azulay morreu em 27/03/2020, vítima de #covid19 (sim, a gripezinha que alguém falou). Quando eu era adolescente (já decidido a seguir carreira nos #Quadrinhos e #Cartuns) assistia seus programas na TV, me admirava com seu carisma, competência e pensava: "Uau, este cara está no lugar certo, na hora exata!" Seu programa de TV tinha grande audiência. O mestre do #QuadrinhoNacional foi também criador da #TurmaDoLambeLambe, cartunista premiado, produtor televisivo e professor de desenho em sua escola no Rio de Janeiro. O tempo passou, virei quadrinhista, cartunista e professor de caricatura na #EscolaPandora, em Campinas. Um dia, ao chegar na escola, vi seu autógrafo com uma auto-caricatura no mural de recados. Tinha sido trazido pelo Ricardo Quintana e Amilcar Mazzari. Senti uma nostalgia boa e pensei: - Quem sabe ainda encontro o Mestre Azulay? Em 2018 pude conhecê-lo pessoalmente no #HQmix, fazer selfie com ele e ouvir seu depoimento de vida. Azulay contou como começou a desenhar, lia gibi escondido nos livros didáticos e desenhava sem parar. Foi premiado como Mestre por uma carreira de 50 anos. Quem espera no lugar certo e na hora exata, alcança. Eu alcancei e pude conhecer o velho mestre.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

BALAIO DE CARICATURAS














Pagu, Big Bill Broonzy, Castello Branco (Petrobrás), Claudio Souza (professor de aikidô), Flavio Migliaccio, Nathan Never, Robert Johnson, Moreno Burattini e Valentina, Grace Jones, Fontanarrosa, Daniel Azulay.

quarta-feira, 1 de abril de 2020

MESTRE JULIO SHIMAMOTO


Conheci o mestre Julio Shimamoto no I Encontro Nacional de HQs, em Araxá (1988). Eu já conhecia sua arte incrível pelo livro "A técnica do desenho" (em que Jayme Cortez dava dicas de 45 quadrinhistas importantes da década de 1960) e este encontro foi muito emocionante pra mim, com meus vinte e poucos anos.
Eu o reencontrei em lançamentos da Ópera Gráfica (de Carlos Rodrigues e Franco de Rosa), na Comix, em 1990. Seu trabalho estava sendo republicado em álbuns que valorizavam sua história. Ele, Zalla, Colonnese eram o centro da festa.
Ao nos despedirmos, perguntei:
- Vai voltar pra casa no Rio, comer uma boa comidinha japonesa? Um sukiaki, bataiaqui, sushi, gohan, missô...
- Que nada, amigo Birão. Eu moro no Rio, lá não tem nada disso. É arroz, feijão preto, salada, toucinho e ovo frito mesmo!
E deu uma larga risada.
Eram outros tempos, a globalização da culinária ainda nao tinha mudado nossos hábitos de forma tão profunda.
Peguei o endereço do mestre e enviei um pacotão com meus quadrinhos políticos e sindicais. Trocamos muitas cartas. Shima me contou da criação da ADESP (1961), de sua participação no projeto de Quadrinhos do Brizola, no RS (1962) e do horror quando foi preso na Operação Bandeirantes, durante a Ditadura Militar.
O mestre Shima é grandioso e simples ao mesmo tempo, delicado e atencioso. Um colaborador de todo fanzine e revista independente. Seu traço vibrante e moderno tem abordado temas épicos, históricos, aventureiros, cômicos, de terror, suspense e até na publicidade. Publicou em todas grandes editoras do Brasil. Fez HQs em azulejos, bexigas de gás, madeira, metal, latex, nanquim, efeitos com copiadoras, um verdadeiro experimentador artesão das artes plásticas.
A internet facilitou nosso contato e nunca mais paramos de conversar por e-mail. A sabedoria e amizade deste Samurai dos Quadrinhos são infinitas.
Além de publicar em vários fanzines com o Mestre, tenho grande orgulho por ter publicado no mesmo selo que ele: Sketchbook Custom pela editora Criativo.
Como no filme "Ao mestre com carinho", eu diria To sir, with love.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

UMA HORA DE BATE-PAPO ENTRE TITÃS

Entre Eduardo Vetillo
http://vetillobrothers.blogspot.com/
Wilde Portela
http://blogdochet.blogspot.com/
e Bira Dantas
http://chargesbira.blogspot.com
Caro leitor, você imagina o que acontece quando duas lendas vivas da HQ brasileira se encontram na internet? Vetillo e Wilde, parceiros de Chet, um dos ícones dos Quadrinhos de Farwest no Brasil, não se falavam há 20 anos. Este digitador que lhes fala presenciou uma verdadeira epopéia com dois Gigantes. De um lado (em Olinda), um mestre das letras e da narrativa quadrinhística. De outro (em Campinas/SP) , um mestre do traço no bico-de-pena, das pinceladas aquareladas, dos desenhos enquadrados. No meio, um reles mortal com mania de vislumbrar sonhos. Um Ulisses, tentando achar o caminho de casa, perdido no oceano, maravilhado com Gigantes Olímpicos, monstros e sereias. Como cantou Gil, o genial ex-ministro da Cultura (um dos melhores que já tivemos) "fazendo uma jangada de gigabytes, pra navegar nas ondas deste infomar, aproveitando a vazante da infomaré".
εξασφαλιστεί ότι οι θεοί για εμάς.
(Que os Deuses velem por nós)
Bira: Oi, Wilde, estamos aqui.
Edu: O Wilde foi o melhor roteirista com quem trabalhei!
Wilde: Caramba!
Bira e Edu: Caramba dizemos nós!
Wilde: Mas com o Vetillo nos desenhos, era fogo. Adorava ver aqueles traços nervosos e com um movimento incrível. O Vetillo tinha um estilo bem pessoal.
Bira: Vixi, to vendo que essa conversa a três vai parar no site Bigorna.
Edu: E o relançamento do Chet, como foi isso, quem fez?
Wilde: Foi uma editora do Paraná.
Edu: Puxa, quantos anos de janela, que bom que os Quadrinhos estão voltando.
Wilde: Rapaz, que prazer enorme. Dia desses minha irmã, que foi casada com Ota, falou de você e comentamos seus desenhos...
Bira: Eita, diabo, danou-se!
Edu: A Su?
Wilde: Não, a Fátima. Mas falando do Chet, era aquele lance, quando eu pegava a revista que vinha com o traço do Vetillo, eu lia tudo com calma, degustando cada quadro e aí, eis que vejo o cara do lado do amigo Bira.
Edu: Eu achava muito bacanas roteiros com três acontecimentos simultâneos, que acabavam com um desfecho único.
Wilde: Pois é, dica de noveleiro. Uma trama e três paralelas. Sabe, gosto de escrever assim... Às vezes fico numa situação complicada, pois não gosto de escrever sinopse. E, gozado que o Vetillo seguia, direitinho, as tomadas de cena que eu descrevia. Era arretado!
Bira: É, estou aqui de bagrinho em aquário de tubarão. Só fera!
Wilde: Você também é fera, Bira! Jovem fera, desenha minha cara pra eu botar no Facebook e no Orkut!
Bira: Demorou. Faço amanhã!
Wilde: Eba!
Edu: Wilde, ainda quero desenhar mais HQs com roteiros teus.
Bira: Opa, senti de novo a parceria no ar!
Wilde: Amarra o endereço do Vetillo, pois to levando a sério a nova-velha parceria Wilde-Vetillo. Pra mim será uma das grandes honras. Além de bater aquele sentimento, né? Será uma história épica, clássica.
Edu: Bem no estilo Wilde.
Wilde: E também o Ota adora o Vetillo.
Bira: Falando em épico, o Vetillo acabou de entregar a Ilíada em quadrinhos pra editora Cortez. Tudo a ver com o momento de vocês! E quanto ao meu velho amigo Watson Portela?
Wilde: Tá na Bat-caverna. Nas Paralelas. Virou entidade, lenda!
Bira: Como assim, não sai mais de casa? Onde ele está morando? Ele está publicando HQ?
Wilde: Na casa de meus pais, no Recife, escondidão mesmo. Desenhou várias HQs. Estão lacradas na gaveta.
Bira: Puxa vida, gosto tanto dele, conheci Watson no Encontro de Quadrinhos em Araxá. Ele via minhas charges e queria por tudo que eu desenhasse Ficção. Eu dizia que nunca ia desenhar espaçonaves e roupas alienígenas como ele, com aquele detalhamento, luz e sombras, hachuras maravilhosas. Wilde: Vetillo, você tem os Chets que desenhou?
Edu: Só o #1 com capa do Ofeliano.
Wilde: Eu tenho três, o #1, um especial e um que você desenhou uma história de caravana quando a turma comia até rato pra sobreviver.
Edu: Raridades! Toma conta direitinho e me manda cópias de tudo.
Bira: Rato ou preá? Hauhauhuahuahuauhauh!
Wilde: Ratazana do deserto mesmo, gabiruzão. A história chamou atenção. Parecia um filme por causa dos desenhos do Vetillo e do tema.
Bira: Wilde, minha família é do nordeste, do RN. O casamento do meu irmão mais velho, Libanio com Gilma Cyrne (parente do Moacyr), foi no sertão de São José do Seridó. Na festa eu comi um pedaço de preá torrado que só fazia crescer na minha boca. Preá, nunca mais!
Wilde: KKKKKKKKKK. Preá não como nem a pau, nem tatu-peba.
Bira: Nem Tatu-man, o meu personagem?
Wilde: Respeito o Tatu-man!
Todos: Hauhauhauauuauauhauha!
Wilde: Um dia comi gia (um tipo de rã) enganado e quando soube... UAHHHHHHH!
Thaís: Que nojento!
Wilde: Rsrsrsrsrs. Beleza, ela tem razão!
Edu: E o Ota ainda está com sua irmã mais velha?
Wilde: Tá mais não. E é irmã mais nova, pô! Botei a bichinha no colo! Faço parte do The Bengalas Boys Club. Tony Fernandes também.
Edu: O Ota é feio que só uma desgraça, ela é doida!
Wilde: Rapaz, doidaça! E continua doidaça. E falei com ele recentemente, um papo doido de dar em doido! E como sou doido, bateu não... Mas dá pedal.
Bira: Cara, eu vou colocar tudo isso no Bigorna, tem alguma coisa que quer que eu tire?
Wilde: Não! Pode colocar tudo no Bigorna!
Edu: Você lembra da gravata do Ota, mais cumprida que a do Didi? Ia até os pés...
Wilde: Rsrsrsrsrs. Vero! A gravata tronxa! Lembro sim, Ota era desajeitado paca! Pegava um ônibus cheio e antes de subir, comprava um sanduba de carne-de-porco e ia comendo em pé, o maior cheiro e a maior meleca!
Bira: Com o futunzão rolando solto! Esse é o Ota...
Wilde: Isso. Ele se pendurava com uma mão e com a outra comia o enorme sanduba e ia se melcando todo.
Edu: Mas o Ota tinha uma moral fdp no Rio.
Wilde: Ota tem moral em tudo que é canto. Ele é ferrado como editor, uma cabeça pensante.
Bira: Até em bordel, Ota tem moral!
Wilde: Lá ele perdeu. Foi roubado por três travecos e não passou mais por lá.
Bira: Que nem o Roaldo gordo? Virge santa, a fome era tanta!
Wilde: Bom, por aí...
Edu: Peter Bogdonovich está fazendo um documentário sobre John Ford.
Wilde: Ford? Meu ídolo, cara! Acabei de receber "The searchers - Rastros de ódio", com o velho Duke, dirigido por Ford.
Edu: Uma obra-prima. Bendita seja a Irlanda.
Wilde: Bendita sim, se não fosse ela, já viu... Uma obra-prima mesmo. Já assisti cinco vezes e hoje vou assistir de novo. Atualmente estou tentando fazer uma HQ cm levada de filme.
Bira: Tem que ter Vetillo no meio.
Wilde: E vai, cara! Se ele topar, uma história sem legendas, saca? Só balões, falas. Quero fazer uma Graphic Novel, formato americano. Editora tem. Portanto, acho que a dupla Vetillo-Wilde dá pedal e vende (sem falsa modéstia)!
Edu: Sempre deu. Eu estou com muito trabalho no momento, mas com certeza, vamos voltar a trabalhar juntos. Qualquer idéia, me envie pelo correio.
Bira: O Vetillo e você, Wilde, estão na crista da onda. Massa total!
Wilde: Massa real. Papo bom é curto assim mesmo. Quando você falou que o Vetillo ia no teu estúdio, desisti de ir na casa do papa&mamma. Seria bom num boteco.
Edu: Que todos nossos projetos sejam "Ases"!
Bira: Abração Wilde. Prazer falar contigo. Mande um abraço especial pro Watson e pergunte se ele recebeu meu Birazine pelo correio.
Edu: Um abraço fordiano pra você!
Bira: Estamos que nem três pintos no lixo!
Wilde: Outro pra você. Abraços em você e no Vetillo. Valeu mesmo! Foi um prazer enorme que você me proporcionou, Bira, entrar em contato com o Vetillo novamente! Alegre que só! E tem um lance aqui de Frei Caneca em HQ, pra escola e pra crianças, você tá no meio, se te interessar.
Bira: Está topado. Depois de ter sido assistente de um Titã como o Vetillo, será uma honra ser parceiro de outro Titã como Wilde Portela, sinto-me no meio de um filme mitológico.
O Ota deu uma resposta, mas isso está no site Bigorna.
http://www.bigorna.net/index.php?secao=birazine&id=1286124127